04/07/2016

Roda Viva - Elza Soares


ELZA SOARES


04/03/2016

E QUE TUDO MAIS VÁ PRO INFERNO - Ruben Carneiro Fonseca Lima

Imagens do colonialismo em Angola.

Era assim como um seresteiro do meridiano. Zé Cassote, preto, azul, vermelho ou roxo? - Depois de espancado pelos "colonos". Vivia cantando as músicas de Roberto Carlos. Fazia-o muitas vezes em frente ao Consulado do Brasil em Luanda, acenando-nos lá do jardim com gestos estudados imitando o rei. Era figura assídua nas redondezas e foi ganhando fama e que fama! No Bairro Operário já lhe chamavam de Roberto Carlos de Luanda.

As pessoas que o conheciam pediam-lhe que cantasse esta ou aquela música e ele lá ia dando conta do recado como podia, afinadinho, por sinal.

Há mais de uma semana que Zé Cassote não vem para o seu "show". Estranhamos e ninguém sabia do seu paradeiro. Apreensão!

Mas esta segunda feira, logo pela manhã, Zé Cassote, muito calado, reapareceu em estado lastimoso. Com o rosto que é negro e virou roxo e a cabeça enfaixada de ferimentos sofridos por agressão.

Foi explicando que no domingo ante-passado, quando estava cantando à porta do Consulado, foi abordado por quatro portugas da PIDE (Policia Internacional e Defesa do Estado) que o jogaram a ponta-pé para uma carrinha. Acordou já no calabouço despertado a socos e patadas dos algozes que queriam que ele dissesse porquê estava cantando e quem o mandou cantar aquela música.
Parece que todos pensamos fazer a mesma pergunta:

- E qual a música que estavas cantando?

- A que mais eu gosto de cantar.

-Sim, e qual?E Zé Cassote, com o rosto contraído, blasfemando no espírito, foi desabafando:-

- "E QUE TUDO MAIS VÁ PRO INFERNO".
O autor desta Postagem nasceu em Berlin em 04.02.1984
e vive presentemente em Setúbal.


06/02/2016

29/01/2016

15/01/2016

PONTE DE LIMA

LEMBRANÇAS

Gente de todas as freguesias e lugares desciam ao centro da vila trazendo os mais variados artigos para negociar. Frutos, legumes, galinhas, coelhos, cabras, vacas e cavalos.
As ruas sujas tresandavam a bosta de vaca e o ar tornava-se quente logo pela manhã. 
O barulho das vozes em algazarra e dos tamancos da parolada batendo no cascalho dos caminhos eram o prato cheio para enfastiar-me.
Não tinha como fugir, a invasão era total e eu, irremediavelmente, ficava!
Surgia a vontade de fazer algo, o impulso de vingança, a explosão.
Deambulei descendo a avenida Antonio Feijó pelo lugar dos carros de bois repletos de melancias que os homens iam anunciando de forma entusiasmante e o preço por unidade. Não era muito. E eu não podia comprar. 
Pensei mas logo afastei a ideia do "assalto". Afinal nem era tanto assim...
A vingança no meu peito de menino que via todos os dias de segunda-feira seu sossego perturbado, cresceu e esqueci que era assim tão ruim o roubo de uma simples melancia. Fiquei no canto do carro onde os olhos do vendedor não tinham acesso. Devagarinho estendi meus braços e com as minhas mãos pequenas pude agarrar uma melancia que achei enorme.
Deslizei o produto entre o taipal do carro e o meu peito que arfava tenso até o fruto tombar levemente.
Fugi e só sosseguei na rua Cardeal Saraiva onde abracei aquela enorme melancia como se ela representasse o meu maior troféu.
Corri rua acima. Mas roubar não compensa mesmo. Tropecei, caí e a melancia esfarrapou-se entre o meu peito e o chão duro da rua. 
Ao erguer-me a imagem que eu transmitia era a de um menino com pedaços de coração saindo do peito.


E Maria  falou que as  imagens erigidas sobre palavras têm as quatro dimensões de que a vida carece: tanto coração a sair do peito eram as ânsias dum "guri" de sonhos e doçuras derramados.



                                                 

É assim como uma dor irrecusável  que às vezes sinto em mim as lembranças de menino. Recordo as tardes de Outono quando o sol em despedida deixava um dourado bem brilhante no cintilar das águas do Lima e, nesse ritmo, nessa melodia, os meus olhos extasiados anteviam outros sonhos...Mas eu sonhava um dia sentar-me num daqueles bancos virados para o rio e, já capaz de escrever sobre estas coisas...sobre os momentos que afinal outros lugares me roubaram... Todavia eu nunca esqueci...E felicidade a minha que ainda achei tempo para vir aqui, às vezes, quando todos dormem, sonhar de novo lembrando aquele menino que eu fui e que, certamente, ainda sou!Felizes dos que moram pertinho de suas coisas.
Isso, se passares por lá, e se estiver o sol no crepúsculo, lembra-te de mim e vais ver que algo em ti se manifesta...e, se ainda for possível, bem pertinho da corrente das águas, vais escutar algo como o meu coração aflito a caminho de Viana do Castelo! Se viesses neste momento me encontrarias sentado num banco materializado à força de tanta saudade.

Falando a todos os meus cantos, todos os meus lugares, perto e longe; falando comigo, só para mim, para depois de novo, sozinho, falar para ela, aqui que ninguém nos escuta! Mesmo assim não ouso dizer nem direi tampouco sem ter a certeza... E continuo dizendo o que afinal só ela pode ouvir e entender menos aceitar! Mas eu aceito incondicionalmente este sentimento que ela me provocou e onde eu me encontro como sendo o único lugar que eu sempre procurei... E sabia que ela estava aqui e estará sempre aqui, bem juntinho deste lado, aqui... Como se fosse um tesouro que Deus colocou no meu acervo.  Proibindo, como condição única, a sua utilização para fins indecifravelmente conjugais... Salvo um dia ela confesse que esta plaga não é só a via para o sonho... 

12/01/2016

FALANDO PORTUGUÊS


09/01/2016

A Guerra de Angola









Corria o ano de 1974. Luanda já em vias de transição de poder com os 3 movimentos de libertação instalados( MPLA, UNITA e FNLA)  no Palácio do Governo. Essa imagem refere-se a um esclarecimento dado aos representantes consulares, sobre um caso de violência que envolveu elementos dos 3 movimentos em que foram mortas várias pessoas entre mulheres e crianças.
A imagem mostra os jornalistas,  os representantes consulares e o Coronel Johnny  Eduardo do FNLA que convocou a imprensa e o Corpo Consular para testemunhar que seu Movimento nada tinha a ver com o conflito.
Na foto: em baixo da esq.para a direita os Vice- Cônsules a.i. do Brasil e Bélgica e o representante do MPLA J. Eduardo.

07/01/2016

28/12/2015

26/12/2015

24/12/2015

UMA MULATA MUDOU A MINHA VIDA




Não há nada mais sério no nosso sentimento do que sabermos que a nossa vida poderia ter sido diferente.
O meu pai, natural do Rio de Janeiro, um Carioca de gema, nascido ali para os lados de Botafogo, mais propriamente na rua São Clemente, teria sido registrado com o bonito nome de Fernando Horta e Valle Ferraz.A convivência dos meus avós - a Dona Rosa e o Senhor Fernando - tremia então. O samba morava perto. E foi num samba que o meu avô, atracado a uma mulata bamboleando no samba, viria a balançar todo o coreto, derrubando todos os sonhos da dona Rosa que, para não matar a mulata, pegou no meu pai e mandou-se para Portugal.
As mulheres daquele tempo eram bravas.
Em chegando a Portugal, a Ponte de Lima, de tanta raiva que sentia, a vovó resolveu fazer novo registro de nascimento de meu pai, trocando-lhe o pomposo FERNANDO HORTA E VALLE FERRAZ, pelo pacato e humilde DOMINGOS RODRIGUES LIMA, com o qual conviveu e, ao que parece, muito bem, até aos 77 anos!

A discrepância é tão grande quanto enorme foi a influência da Mulata.
Se algum membro da familia Horta e Valle Ferraz estiver perto, receba, a título de cumprimentos, o meu ADN!

Seria caso para assinar:
Manoel Carlos Horta e Valle Ferraz

A garota da foto é o meu anjo ou a minha ANGELA NOGUEIRA

A história vai repor tudo o que tinha sido adulterado. A coincidência é a graça da vida. Um
dos meus irmãos, num relacionamento que teve aqui em Portugal com uma morena brasileira, nasceu uma criança que registrou com o nome de meu pai, Domingos Rodrigues Lima. Acontece que, esse meu irmão, muito fogoso e mulherengo, provocou a fuga da morena brasileira que levou o Domingos para o Rio de Janeiro. Em sabendo da nossa história, a morena chegou ao Brasil e não teve dúvidas: como se a criança tivesse nascido em casa, foi ao Cartório, em Botafogo, no Rio de Janeiro e registrou o menino como sendo FERNANDO DE HORTA E VALLE FERRAZ . uff ! que alívio!

17/12/2015

29/11/2015

obsessão




Mas nem vou por aí...
Sigo apenas pelo atalho que me leva direitinho ao corpo dela!
E sei muito bem onde encontrá-la desfilando vestida de pudor como a lua!
Fica me olhando com um ar superior como se eu não visse nem pudesse ver!
Mas vejo-a onde quer que ela esteja e vejo-a como eu quiser, quando eu quiser, vestida ou nua...


Fonseca Lima

26/11/2015

O olhar de Odette



Viajando pela vida aprendi muito... Tenho visto que pela aparência Não se mostra essência Que palavras nem sempre indicam acção Que se mostrar delicado, nem sempre significa ser gentil Que sorrisos nem sempre indicam felicidade. Que falar de amor nem sempre se sabe amar. Aprendi que temos que ver com o olhar da alma, apreciar com o coração, e viver com emoção,porque para ser forte é preciso ter coragem para chorar! Aprendi que as linhas ao redor dos meus olhos, lábios,e do rosto,são lindas lições que na vida alcancei! O olhar se perde nas páginas deste livro!


Odette Capotosto

06/11/2015

OUTONO




Às vezes é a chuva caindo lá fora e o cinzento das coisas na paisagem. O som natural que me chega do vento açoitando nas vidraças. O murmúrio das vozes das pessoas que se movimentam no interior do prédio. O latir do cão da vizinha. Na minha cabeça as lembranças misturam-se com  o sentimento da cor  do dia que as empalidece e me derruba. E fico assim envolto na melancolia que o Outono provoca. Saio então de casa e atravesso a avenida dos plátanos. Pisando as folhas ainda molhadas acorda então em mim, agora onde eu estou, este menino em Ponte de Lima... 
.    

15/10/2015

Perspetivas da vila de Ponte de Lima - onde eu nasci




Nasci à beira do rio Lima, rio saudoso, todo cristal.
Daí a angústia que me vitima
daí deriva todo o meu mal.

António Feijó.
Poeta e diplomata português, nascido em Ponte de Lima.

PONTE DE LIMA "Erinnerung"

Em 1982, quando então eu pagava uma pena por pecados já esquecidos, enviava, timidamente, para o jornal da minha terra (Cardeal Saraiva) pequenas flechas de saudade de um "Limiano em Berlin".

No meio de um livro, um dia destes, encontrei uma referencia antiga dedicada à terra onde nasci e a essa Ondina das aguas do Lima que a garotada chamava de Narcisa 
ou  Camões!





É

08/10/2015

NEM SEMPRE GALINHA NEM SEMPRE RAINHA

Fleming de Oliveira


Quem não conhece a expressão “nem sempre galinha, nem sempre rainha”?
O que muitos não saberão é que a origem dessa expressão é atribuída ao rei D. João V, conhecido nos manuais da história pelo “Magnânimo” mas também conhecido pelo “Freirático” por causa da sua apetência sexual por freiras. Ficou célebre o seu tórrido romance com a Madre Paula, do mosteiro de S. Dinis em Odivelas, com quem teve vários filhos, os quais educou esmeradamente, ficando conhecidos pelos Meninos de Palhavã, porque residiam em Palhavã, no Palácio onde actualmente funciona a embaixada de Espanha em Lisboa.
A rainha era austríaca e muito feia, ao contrário do rei que era bem apessoado, talvez por isso o rei procurava outras companhias mais agradáveis. A rainha sentindo-se rejeitada ter-se-à queixado ao padre seu confessor.
Um dia o padre chamou o rei à razão. Então o rei ordenou ao cozinheiro que a partir desse dia, o padre passaria a comer todos os dias galinha. Nos primeiros dias o padre até ficou satisfeito e deliciado com o menu. Mas passado três meses o homem andava agoniado e magro que nem um caniço, indo-se queixar ao rei, de que o cozinheiro só lhe dava galinha.
Foi quando o rei com ar de malícia lhe disse.
- Pois é senhor padre! Nem sempre galinha, nem sempre rainha!

Extraído do Blog de FLEMING DE OLIVEIRA


Postado por gentileza DE EMAIL
de Annabella.

25/09/2015

18/09/2015

Fast car -Tracy Chapman

02/09/2015

Um pinheiro na Boavista - Porto







CRESCEU e sem ele mesmo dar por isso. A vida foi tão cheia de sossego e tudo à sua volta inspirava-lhe gratidão. Com ele cresceram também crianças que à sua sombra brincavam felizes e lhe regavam as raízes com água fresca e límpida do poço. Pela noite vinham os pássaros aconchegar-se nos seus troncos grossos e quentes dos raios do sol que incidiam pela tarde. E, quando chovia servia de abrigo às pequenas flores que cresciam a seus pés. Nas noites de ventania no balançar de seus galhos o vento soprava forte e a Joana no seu quarto quentinho adormecia como se aquele ruído representasse uma canção de ninar. E assim, aquele já enorme pinheiro, ia crescendo e prestando à natureza os maiores benefícios no meio de uma cidade poluída tão necessitada de vegetação e consequente oxigénio . E a sua vida teria continuado assim por mais cem anos. Mas para tudo que é bom, nesta vida, surge sempre uma grande maldade. No quintal ao lado onde plantado estava o pinheiro, morava a maldade encarnada numa velha quase bruxa, desdentada e feia que, com alma de diabo, recorreu à justiça alegando que o pinheiro, com a sua enorme sombra, lhe acarretava grandes prejuízos. E a justiça, aquela justiça que ninguém entende,  sentenciou  o derrube daquela árvore - o que teve lugar outro dia - a golpes de serra, cujo barulho ecoava que nem trovões como se a cidade do Porto estivesse sendo abalada por um terremoto.
Nessa noite ainda tive uma sensação de grande alegria. Sonhei que o pinheiro teria derrubado na sua queda, com o seu tronco hercúleo, o corpo gordo,balofo e feio da desdentada vizinha que se desfez em merda e foi a enterrar dentro de um caixão feito da madeira do próprio pinheiro. Até na sua morte o pinheiro prestou os melhores serviços à natureza levando consigo uma grande porção de veneno que empestava a cidade do Porto...

31/08/2015

Mudando as fraldas

Como disse um ilustre escritor português: " os políticos são como as fraldas,
pelos mesmos motivos, devem trocar-se  frequentemente".


Procurei em vão, por todos os cantos, de todas as formas, em minhas memórias, algo que me servisse para espairecer este mutismo que me avassala nesta manhã de neblina. Tenho a impressão que já foi tudo escrito e que não existem mais temas úteis às pessoas. Ou que as pessoas já nem lêem mais. A não ser claro, as notícias sobre futebol ou sobre  os escândalos da viciada corrupção que se vem alastrando desmedidamente .

A avaliar tantas referências sobre os abusos, a prepotência, a arrogância, a bandalheira no meio político e que tudo continua na mesma!
Parece que ninguém está mais  interessado na correcção das coisas porque todos já estão incorrectos! E já que os políticos são uns mentirosos, toca a seguir esse exemplo!
Vozes gritam e clamam justiça mas "eles" estão surdos!
E continuam as vozes gritando neste vastíssimo deserto!
Por
 isso, hoje, que me faltam as palavras para poder escrever, vou gritar também: 

Fuck all

27/08/2015

Yuko





YUKO
O mais surpreendente na vida é conseguirmos algo que jamais tiveramos imaginado.
E o mais admirável é alguém que consideramos inatingível , aparecer  na nossa vida e nos  envolve num fascínio  quase fatal de prazer e paixão
que fere e deixa a cicatriz irreversível.
Yuko foi assim. 
Veio do Japão e me entregou toda uma expressão de amor transbordando libido em gestos e murmúrios  fabulosamente  inesperados.
Yuko veio como se fosse para me transmitir um recado. Uma especial mensagem ...Yuko faleceu  com vinte anos apenas.  Disse-me  adeus com silêncio.  O silêncio próprio das  rosas  que exalam seu perfume de Primavera  num jardim de Tókio ...Aku tresna sampeyan 

Sayonara



Ingkang paling ngagetne Uripがkanggo njaluk倉庫ウィスコンシン州タウmbayangkeを歌うる。
ウォン·北nimbang達成不可能、火遁のING歌の北の北LAN MELUる魅力MEH Bejat penggalihipun dhumatengのLAN情熱nggumunake蘭paling
IKU nyengsarakke LANは不可逆的な瘢痕化をgodhong 。
裕子大地。
ORA dikarepke sadurunge nyeretのLAN雑音途方る坂katresnanトハ性欲wutuhてかサカJepang LAN nyerahkeクラ表現。
裕子TEKAクラカヤkanggo ngirim pesen 。 puluhのTAUnを判別を栄pesen Khusus ...裕子SEDA 。 DhatengクラPamit KARO nggawe落ちきれなかった。 Kasepenのbangetのバラはタマン東京るgondho坂坂春...阿久Tresna Sampeyを発散歌う

25/08/2015

14/08/2015

NAQUELA NOITE

Foi assim algo fugaz mas deu para prender a emoção e soltar um beijo tímido e muito íntimo  que fez transbordar a inibição.
E não te tive afinal como eu queria. Ficou apenas o teu cheiro impregnado em mim que ainda hoje permanece.
Nada significou para ti que já tinhas apagado a minha imagem mesmo antes daquele momento em que vieste à sobre posse, contrariada, quase como se fosses para um castigo , todavia, castigando-me a mim e só a mim, severa e sadicamente.
Depois partiste sem nada dizer.
E eis que te reencontro e   tentarei novamente conseguir de ti aquilo que só uma mulher amada e desejada pode ofertar.
Mas só vou se me prometeres que poderei, junto a ti,  numa noite  vindoura, completar este poema, esta história de amor ,  mesmo sabendo do  pueril e material significado que tu lhe atribuis.
.


10/08/2015

un niño de cine


Vigo é uma cidade em forma de presépio. Quando se chega ali, pela parte Sul. Quem vai de Valença do Minho,entrando pela Avenida Portugal, depois Praça de Espanha, descendo a Avenida Collón até enfrentar a deliciosa paisagem que transmite o outro lado da baía, temos exatamente a ideia de um presépio gigante, quando olhamos para trás!
É uma cidade apaixonante.
Vivi ali dois anos e viveria toda a minha vida.
Foi a cidade realmente dos meus "buenos recuerdos!
Um dia, era Verão, saí com o meu filho que nessa altura tinha 3 anos, e fomos passear por toda aquela artéria rente ao mar.
No regresso, antes de chegarmos a casa, 
sentamo-nos numas escadinhas perto da Praça de Compostela. O meu filho tirou o boné que lhe causava calor e colocou-o perto de mim, na escada, virado para cima.
No momento em que estou passando a mão pelos cabelos do meu filho, tentando dar um jeito em forma de afago, uma senhora muito elegante abriu sua bolsa, tirou uma moeda de 5 pesetas, e, com o elogio "que niño guapo, que niño de cine", colocou a moeda no boné. Logo em seguida mais uma dama, mais cinco pesetas e mais senhoras e mais moedas!
Fiquei como imaginam sensibilizado e completamente bloqueado.
Cheguei a casa com 1.350 pesetas!
Quase que no dia seguinte eu voltava para as escadinhas...
E deixava a merda do emprego que eu tinha!

RUBEN ... in Berlin geboren...

O meu filho nasceu, era então  Berlim, 04 Fevereiro de 1984.   A avaliar o dia cinzento e a neve caindo lá fora ,  parecia tudo um filme a preto e branco.  Mas meu coração via tudo colorido de cores vivas e radiosas.
Desde então nunca mais me senti só ou em desalento. A vida passou a ter um outro significado.
O tempo corria veloz e vi o meu filho de repente crescer ao ponto de por vezes  ter a sensação que existia outro.    
Quando atingiu os dez anos, um dia parei em sua frente e perguntei: -  onde está o teu irmão?  Ele, surpreso, responde:-  pai tu estás maluco, que irmão é esse?
Foi então que lhe expliquei que a vida, o tempo entre nós,  tinha  voado.  E as fases de evolução dele iam deixando marcas.  
Tanto que às vezes eu tinha a sensação que em cada fase de nossa convivência era preenchida com outro Ruben.    Que é feito daquele menino correndo no parque brincando com o cachorro? E o outro mais além que gritava por mim querendo fazer xixi.  E o Ruben, já na Escola, quando a mãe o ia buscar de carro e ele, no banco de trás, olhava incessantemente para a língua no espelho retrovisor.  A mãe perguntou porquê isso?  E ele respondeu que a Professora  nesse dia  estava perguntando a todos a tabuada e eles não sabiam.  Quando chegava a vez dele ele respondia acertadamente.  A Professora falava então  para os outros: vêm vocês? o Ruben tem a tabuada na ponta da língua  Nesse contexto, ele olhava o espelho  esticava a língua, mas não via nenhuma tabuada.


08/08/2015

PONTE DE LIMA "Erinnerung"

Em 1982, quando então eu pagava uma pena por pecados já esquecidos, enviava, timidamente, para o jornal da minha terra (Cardeal Saraiva) pequenas flechas de saudade de um "Limiano em Berlin".

No meio de um livro, um dia destes, encontrei uma referencia antiga dedicada à terra onde nasci e a essa ondina das aguas do Lima que a garotada chamava de Narcisa
a Camões! Vejam só!

Nesta cidade
a leste das coisas da minha origem
curto a melancolica espera
do regresso que demora.
Conto os dias em minúcias
agigantando os tempos qual presidiário
de crime comissivo
que vê remotas
hipóteses de evasão.
Por vezes
na noite
num misto de sonho
e ilusão
vejo no asfalto brilhante das ruas
esse rio bonito
que banhou meu nascimento
e as sombras
dos altos edifícios
transformam-se
nos montes que rodeiam
a minha terra -
- Madalena aqui, Santo Ovídio lá.
Santa Justa, além!
E nessa ilusão grandiosa
vi ruir todas as estátuas
da cidade de Berlim
e em seus lugares
erguer-se
o busto dessa mulher imortal
essa Joana D´Arc ou
Maria da Fonte
de nossas emoções infantis!

Manoel Carlos

03/08/2015

DIVAGANDO

Como disse um ilustre escritor português: " os políticos são como as fraldas,
pelos mesmos motivos, devem trocar-se  frequentemente".


Procurei em vão, por todos os cantos, de todas as formas, em minhas memórias, algo que me servisse para espairecer este mutismo que me avassala nesta manhã de neblina. Tenho a impressão que já foi tudo escrito e que não existem mais temas úteis às pessoas. Ou que as pessoas já nem lêem mais. A não ser claro, as notícias sobre futebol ou sobre  os escândalos da viciada corrupção que se vem alastrando desmedidamente .

A avaliar tantas referências sobre os abusos, a prepotência, a arrogância, a bandalheira no meio político e que tudo continua na mesma!
Parece que ninguém está mais  interessado na correcção das coisas porque todos já estão incorrectos! E já que os políticos são uns mentirosos, toca a seguir esse exemplo!
Vozes gritam e clamam justiça mas "eles" estão surdos!
E continuam as vozes gritando neste vastíssimo deserto!
Por
isso, hoje, que me faltam as palavras para poder escrever, vou gritar também:

Fuck all


"Textinho" de Manoel Carlos
Horta e Vale
Estive inclinado a escrever:"Texticulo"!

31/07/2015

O ARCO IRIS

Depois de tanto tempo que afinal foi ontem, continua em mim a mania da busca das coisas inatingíveis… e quedo-me ainda nas lembranças trazidas da infância. Era o arco-íris por trás dos montes e o mistério das suas pontas. Onde começava e onde acabava o arco-íris? Lembro-me uma vez que ele atravessou a Vila e eu corri para alcançar a sua extremidade que me parecia envolver a relva do jardim, ali no fontenário.  Mas cheguei tarde demais. Aquelas cores maravilhosas voaram de novo em direção ao céu
Manuel Carlos

28/07/2015

MULHER DE VERFMELHO

Naquela manhã
vieste linda, sedutora,  envolvida no teu CURTO vestido vermelho ...


26/07/2015

CRONICA ANTIGA BEM ACTUAL


12/07/14

A CRÓNICA DO MEU IRMÃO...


Volto porque quero ver-vos agora assim pequenos, sem os paternalismos do estado e sem subsídios: todos mui sub e nada sídios, sem governo nem futuro para vos acalmar a ganância e a palermice. E digo pequenos e palermas porque durante estas décadas todas mais não se viu senão o catastrófico resultado dos vossos enganos, a nada mais se assistiu que não à desfaçatez e à gula com que - logo após a fome e a ignorância que vos tolheu a infância - pulastes a fase do remedeio e quisestes imediatamente comer o manjar dos ricos todos os dias, a expensas dos impostos dos outros, e lá no meio até quisestes também ser «doutores» sem universidade nenhuma nos miolos…

Tudo com o beneplácito do vosso santo e venerado partido. E como militáveis vós, acenando bandeiras de todas as cores…

Mas no final os bandidos foram os bancos, que nos prometiam férias em paraísos longínquos a suaves prestações, automóveis e vivendas de luxo a juros baixos...!

Claro que esta gente da banca é bandida, mas isso faz parte da sua natureza, fundamentada nos lucros cegos. 

Agora os partidos? Essas entidades que nos prometem segurança e bem-estar e a quem quase se entrega a alma e as rédeas dos destinos colectivos…?
Não, não, caros militantes dos partidos: vós sois os verdadeiros coveiros desta gente toda!
Por isso quero ver-vos agora assim cabisbaixos e tristes como se algo de tremendo vos tenha acontecido. Ver-vos assim ridiculamente revolucionários exigindo com indignação o carro de alta cilindrada de volta, o apartamento impossível de pagar ao banco livre de hipoteca, o direito ao colégio particular dos filhos garantido, as roupas de marca, os vinhos seleccionados das melhores colheitas…, como se isso tudo fosse direitos adquiridos!
- Direitos adquiridos? Há direitos adquiridos num mundo cão como este?
...Como é maravilhosa a História quando se mete a castigar a burrice dos povos

19/07/2015

RUBEN sem palavras...



antes e depois



16/07/2015

O NADA AFINAL É TUDO


Quem tem medo da morte? É realmente inútil pensarmos nessa fatalidade.  A palavra em si o indica: FATALIDADE.  Não existe saída, nem vale a pena a contestação. É esperar para ver ou deixar de ver.
Tantas voltas a humanidade tem empreendido no intuito de obter alguma informação desse destino, dessa partida sem volta. Assistimos ao conflito permanente de religiões que tentam acudir aos fiéis temerosos mostrando-lhes  paisagens repletas de enganos. A ilusão sublime de um destino inatingível, onde nem os santos são encontrados.  Apenas a cruel designação do que o que está em cima é como o que está em baixo, e tudo o que está em baixo é como o que está em cima, até chegar  onde é mostrado e provado, categoricamente, que  o nada é   nada.

As pessoas crentes, religiosamente crentes, debatem-se com a certeza da ciência onde tudo se assenta em evidências e tudo que tem vida pode ser explicado e os milagres da ressurreição  chocam  violentamente com o que não se pode provar.  Quando me dizem que depois da morte é possível voltar à vida,  faço apenas a pergunta: com que sentido para sentir? Com que olhos para ver? Com que boca para falar? Enfim, todo esse conjunto de peças ou órgãos  que o  corpo necessita para a sua  manifestação terrena..
Ninguém ouse afirmar que depois de um corpo cremado ou depois de seu destino de morte é possível sua reintegração para voltar à vida. Milagres?
Tudo o mais e se acaso ELE existe,  só Deus poderia dizer algo. Mas com que técnica?

Onde estão os técnicos de informática que já viajaram e não se sabe para onde? Quem sabe!

08/07/2015

À beira do Rio Lima

O Tanoeiro                      
                                               


Faz muito tempo. Ainda eu era criança. No largo da Porta Nova, o Manuel da Barca,tinha a sua tanoaria.  Trabalhava em frente à porta de casa.  Quase que eu aprendi a fazer barris de tanta vez que o observava na sua actividade; uma arte, que ainda hoje é imprescindível por causa da necessidade da conservação ideal para os vinhos e aguardentes. Pouca gente sabe que o whisky escocês é envelhecido em toneis gigantescos  que foram do vinho de  Porto.

Toda  a simpatia e bom humor permanente era apanágio do senhor Manuel.  Após nosso jogo de futebol, versus pelada, no largo, ia-mos  para perto do senhor Manuel escutar suas peripécias e suas histórias engraçadas.


Após umas boas horas de trabalho, normalmente,  ele  sentava-se  numa pedra em frente  ao barril em acabamento, no degrau da entrada do Prédio  do Dr. Malheiro , fumando seu cigarro


Por vezes nós os garotos ficávamos jogando ao botão, a uma distância de mais ou menos 200 metros do lugar onde estava sentado  o Manel da Barca. Vez por outra, era uma festa de risos. Nas ocasiões quando  o Manel da Barca, com aquele gesto inconfundível  de quem quer aliviar  o interior peristaltico,  levantava  uma perna e ajeitava a bunda para soltar o maior,  mais sonoro e extraordinário traque,   que ecoava  reverberando por todo o largo,  por toda a Vila.
Era o "show" para a garotada.
Se fosse de noite certamente faria um clarão de luz. 
 Para tal trovão era merecido  e necessário um relâmpago  de luz superior...

Publicado por Fonseca Lima,
em LIMIANO 41 "google"

07/07/2015

COISAS DO MINGOS




Coisas do Minguitos


Um dia, há muitos anos o Mingos passava por mim e pedia 50 esc. para café. Como sempre que me via me fazia tal pedido e sempre lhe eram concedidos os tais 50 escudos para café, no intuito de não lhe negar, mas que não pedisse sempre que me via disse-lhe. Isto não pode ser Mingos, "sempre 50 escudos, sempre 50 escudos" ao que Ele me respondeu muito sério  -"É verdade, tem razão, tem razão...... hoje dá-me 100 escudos"

João Malafaia

04/07/2015

PARECE MAS NÃO É

DOMINGOS  MINGOS  MINGUITO

...Perguntaram-lhe algo e ele busca no bolso a resposta.
A bicicleta é agora o guarda chuva que teima em não querer abrir.
Mas também não chove...
Na vitrina,  à frente,  o manequim espera curioso!


ELE CORRE DESPREOCUPADO PELA AVENIDA. MENINO AINDA. BARBA CERRADA.
SEGURA NAS MÃOS UM PAU PELAS PONTAS À GUISA DE GUIDÃO E SEGUE CAMINHO NUMA BICICLETA VERDE FEITA DE VENTO E NUVENS. SAI CORRENDO IMITANDO O RUIDO DA CRAMALHEIRA. NA CORRIDA O MUNDO PASSA. AS ARVORES SÃO VULTOS DE OUTROS PLANETAS. A VIAGEM É LONGA E CONTINUA NA SUA MÁQUINA DE VENTO. A VILA VAI FICANDO LONGE. TUDO MUITO DISTANTE EM SONS SUAVES E CORES ESTRANHAS. AS VOZES MISTURADAS À PAISAGEM QUE É DE GIESTAS SECAS, DE MACIEIRAS PARINDO E DOS PINHAIS CURVADOS. CHOVE AGORA. TROVEJA E NA MISTURA DOS TROVÕES UMA VOZ FORTE ESTALANDO. A VOZ DE SEU PAI. TOMARA QUE A TROVOADA AUMENTE! ELE QUER QUE TROVEJE NA PERSPECTIVA DE ABAFAR O BARULHO DOS PENSAMENTOS, DAS RUIDOSAS LEMBRANÇAS. E SEGUE GALGANDO OS PONTOS DISTANTES PARA CHEGAR MAIS ALÉM. AO ENCONTRO. À RESPOSTA. MAS O NADA É NADA E TUDO ESTÁ VAZIO...
SUA BICICLETA AGORA É UM CAVALO E GALOPA. E DE NOVO A BICICLETA DE VENTO, DE NUVENS, DE CHUVA.
LONGE. O MUNDO ALÉM. NAVEGA. SONHA DE NOVO MAS OS OLHOS ESTÃO ABERTOS E A ESTRADA ILUMINADA! O ASFALTO PRATEADO. SEUS OLHOS ESTRELAS. LAMENTOS. A VOZ SUAVE NA BRISA PASSAGEIRA. UM LAMENTO. UMA SÚPLICA.
- VOLTA! NÃO ME ABANDONES!
FOI OUTRORA. MOMENTOS TERRÍVEIS. PESADELOS GIGANTES. EXPECTATIVA DA PARTIDA EM SEUS PULSOS CORTADOS. O APELO DERRADEIRO DAS TREVAS. O CONVITE NEGADO.
-VOLTA MINGUTO!
O SUSSURRO. A FORÇA SEGURANDO-O AINDA À SUA BICICLETA DE VENTO E NUVENS. A SUA BICICLETA VERDE...FEITA DE VENTO E NUVENS...



Manoel Lima
Além do Rio de Janeiro, Morou em Luanda, Berlin, Vigo, Porto, Lisboa
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01/07/2015

25/06/2015

23/06/2015

A JUMENTINHA



Um garotão, 25 anos, boa pinta, passa no concurso para Juíz Federal e foi mandado para uma cidadezinha lá para o Sertão no Rio Grande do Norte. 
Ao chegar na cidade, foi logo advertido:
Doutor, aqui tem um

problema. Não tem mulher na cidade. Quando o senhor quiser afogar o ganso tem que ir para a beira do rio pegar a jumentinha.
O jovem juiz mantendo a pose, disse que não havia necessidade.
Mas passados 3 meses o tesão foi aumentando e o juiz não aguentou.
Botou a sua melhor roupa e foi para a beira do rio.
Chegando ali deparou-se  com uma fila  de homens e uma jumentinha. Ante a presença do juiz, o povo abriu caminho.
- Olha o doutor ali, pode passar doutor.
Diante de tanta gentileza e tamanho tesão o doutor não titubeou.
Abaixou as calças e crau na pobre da jumentinha.
Foi quando escutou um OOOHHHH saído da fila e um homem exclamando:
- DOUTOR, A JUMENTINHA É SÓ PARA ATRAVESSAR O RIO,
   O PUTEIRO É DO OUTRO LADO !!!!

21/06/2015

17/06/2015

O MESTRE CUCA



S A T Z K Y

Ingredientes: l pepino médio descascado e cortado fino.
1/2 litro de jogurt
l colher de sopa de azeite
l colher de chá de vinagre
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de Dill - cortadinho
1 dente de alho picado.

Preparar: l hora fechado no refrigerador
para servir com carne, beringela ou Succini        

STEAK COM AMEIXAS

O steak, depois de temperado com sal e pimenta, passar em BASTANTE manteiga.
Quando pronto, tirar e reservar.
Na manteiga restante.  colocar as ameixas pretas cortadas, muita salsa um cálice cheio de rum escuro e natas frescas.  Colocar o  molho sobre o steak.

Esta receita foi o Roberto Bonatto, meu colega no Consulado do Brasil em Berlin que me passou em 1983. 

16/06/2015

O COCO O COQUEIRO

Antes de mencionar alguns aspectos sobre a comercialização do coco do Brasil, permitam-me que assinale um caso, embora quiçá isolado, que me deixou apreensivo. Por isso conviria que usassem do maior cuidado quando for para extrair do coco seco, a água que o fruto contém, que normalmente a extraímos perfurando um dos buracos (3) que aparentemente se conservam hermeticamente fechados:  Quando me disponha a perfurar um coco com  um saca-rolhas para que,  com a ajuda de um canudo fino  "palhinha" pudesse  extrair a deliciosa água que tanto adoro. 
A surpresa foi quando me chegou à boca a pequena porção do líquido.  Algo estranho acontecia, fui  obrigado a cuspir  de pronto. Estava evidentemente alterado o conteúdo, o que confirmei na altura de quebrar o fruto que se abriu facilmente soltando a casca mostrando o interior do coco escurecido. Sem aquela brancura inconfundível do coco.
A partir de hoje vou ter mais cuidado. E eu que adoro coco e sei o quanto este fruto é benéfico à nossa saúde.
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Agora a estatística.


 A produção de coco no Brasil atinge mais de um milhão de toneladas, entretanto este volume representa apenas 2% da oferta mundial (Rego Filho et al. 1999). No Vale do São Francisco, o cultivo do coqueiro anão irrigado, encontra-se em fase de expansão, tendo atingido em 1999 uma área plantada de 8.102 hectares, com produção anual de 24.306 toneladas e produtividade média de 240 frutos por planta por ano (Cadastro... 1999). Todo o coco produzido nos  Os Os pólos de irrigação de Juazeiro-BA e Petrolina-PE, é comercializado para consumo da água. A partir do segundo semestre de 1999, o Grupo de Coco do Vale abriu o mercado da Inglaterra e da Itália com a iniciativa de 70 pequenos produtores, que conseguiram exportar 17 mil frutos entre os meses de agosto e setembro (Saabor et al. 2000). O principal entrave para o prosseguimento desta iniciativa tem sido o custo de transporte, devido ao elevado peso e volume do fruto. Os produtores optaram então pelo engarrafamento industrial da água de coco, como a forma mais adequada para atender ao mercado, mas esta alternativa também não tem tido boa aceitação pelos consumidores em função das próprias características da água que em contato com o ar se deteriora rapidamente, ou ao emprego de métodos de conservação como pasteurização, adição de conservantes, congelamento e correção do açúcar, que alteram o sabor da água, tirando-lhe a característica de bebida natural. Na busca de novas alternativas para a comercialização do coco ao natural, procurou-se remover parte do mesocarpo do fruto o que proporciona a redução de cerca de 50% do seu peso e volume. Este método resolve apenas em parte do problema pois o coco descascado torna-se muito sensível ao escurecimento e murchamento apresentado, em menos de oito dias, aparência desagradável para o consumidor. O envolvimento dos frutos com películas de polietileno de baixa densidade, contribui sensivelmente para reduzir a perda de água e conseqüentemente o murchamento do mesocarpo, como ficou demonstrado por Assis et al. (2000). Por outro lado, agentes redutores como sulfitos e ácidos orgânicos tem sido utilizados como alternativas para inibir o escurecimento em produtos vegetais minimamente processados (Food... 1986; Dziezak, 1986). O escurecimento de batata inglesa, descascada manualmente, foi evitado com tratamentos por imersão em solução mista de ácido málico e ácido ascórbico por 3 minutos (Laurila et al. 1998). Os autores observaram ainda que o tratamento com ácidos orgânicos foi tão efetivo quanto os tratamentos com metabissulfito de sódio, até então empregados para a conservação de batatas minimamente processadas. ..

02/06/2015

25/05/2015

o Adão do século 21


21/05/2015

NOVEMBRO DE 2007



Em novembro de 2007, iniciava eu humilde e timidamente este "amaranhado" de palavras e "bobine" de historinhas, dando azo assim a esta "mania" de escrever aquilo que "anormalmente" me vem à cabeça. Fi-lo a medo porque nunca seria por grandes atribuições literárias que iria suscitar eventual interesse seja por quem for. Fi-lo sim para guardar e botar em ordem algumas "croninhas" que, certamente, escritas em papel seriam, desde logo, perdidas e quiçá, eu nem as escrevesse. Assim, aproveitando a evolução dessas coisas deste mundo, as quais, até há bem pouco tempo não existiam, e antes que eu parta e nem deixe aqui provado que plantei ao menos uma árvore, resolvi então botar mãos à obra e escrever o meu blog que dedico a todos os blogueiros conscientes e amigos: Lili Qinan (escritoraypeligrosa), Herbert Drummond (oficinadegerencia) Maria (istonoeuncabare) Silvia (o blog da Saravelem) Ruben (desesteriotipados) e todos aqueles (que omito, pois são inúmeros ) que considero de igual maneira.

Sinto-me muito satisfeito porque os poucos comentários de que fui alvo foram sempre simpáticos e positivos e o número de visitantes durante 365 dias atingiu a bonita cifra de 12.600 o que quer dizer: ligeiramente mais de mil por cada mês. Desses visitantes constam pessoas de 63 países mas a maior parte foi sempre de Portugal, Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e Inglaterra.
Se alguma coisa eu pude dizer que suscitasse interesse, ou que fosse de alguma utilidade, fico contente e feliz.
Terminando elevo aqui os meus pensamentos para uma paz duradoura entre os homens ( e entre as mulheres) e que o mundo siga levado pela mão de um Deus diferente que não seja aquele que nos tem deixado um pouco perplexos.

Relanço daqui o meu olhar para tanta miséria no mundo, tantas crianças abandonadas, tantas mulheres espancadas, tanta injustiça, como se vivessemos realmente sem a proteção da mão de um deus qualquer de um deus MAIOR.

Fonseca Lima

18/05/2015

UM PÁSSARO

LIKE A BIRD"


De repente sou um pássaro numa árvore imensa, compacta de galhos,ramos e folhas que o vento vai acariciando nesta manhã de começo de Verão. Meu chilrear nem eu próprio escuto pelo barulho que emite o farfalhar das folhas. E sinto-me só sem ter mais aqui os outros pássaros que voaram de madrugada sem mim à procura da vida. Como não sabia para onde tinham voado resolvi esperá-los até à tardinha quando se recolheriam nesta imensa árvore - nosso abrigo no meio da cidade. Esperei. Esperei. A tarde veio, a noite caiu mas os meus amigos, a minha familia, a passarada não mais apareceu. Que teria acontecido?

...já não há mais ninhos, não há mais ramos...

Manoel Carlos

17/05/2015

LISBOA FADO PAIXÃO








QUANDO  eu era menino tive um sonho. Um sonho muito longo. Mas que o tempo como só numa noite, num instante do próprio sonho, apagou. Esse sonho era o de conhecer Lisboa e mais sonho ainda se em Lisboa eu pudesse viver. A minha vida tomou outro rumo, segui outras plagas e nunca mais pensei ou sonhei com Lisboa!
Mas como a nossa vida se transforma às vezes por mor dos sonhos, à força disso, 
fora do tempo e do sonho, como num passe de mágica, em 1988, vim para esta cidade que conviveu secretamente, misteriosamente, comigo no meu coração de criança!
Não sei se por recalque ou por outro motivo qualquer psicológico, eu, que no tempo do sonho me embalava com as vozes plangentes do fado, de repente, em outras terras,
com outas gentes, outras vozes, quando escutava o fado sentia uma profunda raiva e me recusava a ouvir. Para me confortar eu alegava tristeza incompatível com o meu temperamento.
Felizmente mudaram-se muitas coisas não só em mim como até na própria canção nacional portuguesa.
Ademais a nova tecnologia de som, acustica e instrumental, mais as vozes suaves e de coração e alma mais liberadas fazem do fado actualmente uma arte doce melodicamente mais profunda e até mais internacional.
Pois meus amigos. Voltei ao fado.
E me apaixonei por ele na voz dela a MARIZA.
.
Texto de Manoel Carlos


O comentário mais doce das mais doces apaixonadas do Tejo:





Não me fales de Lisboa... Não hoje, que estou tão saudosa... Não hoje, que meus olhos teimam em demonstrar publicamente toda a minha saudade.
Eu, no meu amor tão grande por essa cidade ("Lisboa menina e moça amada, cidade-mulher da minha vida..."), tenho a petulância de dizer que duvido alguém tenha mais saudade de Lisboa do que eu.
Ah... Quanto eu poderia de falar de Lisboa... Quantos lugares...Castelo, Jerónimos, Príncipe Real, Chiado, Bairro Alto, Campo D'Ourique, Rato, Estrela, Alfama, Baixa, Alvalade, Amoreiras, Mouraria, Terreiro do Paço, Rossio, Martim Moniz, São Sebastião... Poderia citar mais... sei lá quantas. E não me cansaria de ficar cá a lembrar, lembrar, lembrar...
Sei que minha saudade parece ser daquelas que nunca mais se voltará àquele lugar. Mentira, pois sei, tenho a mais absoluta certeza de que, em mais tempo do que imagino, estarei aí, a cantar ("Lisboa, menina e moça, menina...") - não sei se escrevo ou se choro - a beber copos na companhia dos amigos mais queridos que jamais tive, e a ter a confirmação, somente para mim mesma, que devo ser a mais portuguesa de todas as brasileiras existentes na face da terra.

Mais não consigo escrever pois que meus olhos não conseguem enxergar.

Com as saudades mais loucas e mais doídas,

Rosinha Vassinmon
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LISBOA FAZENDO SUSPIRAR




También para mí es una ciudad mágica, entre los lugares más arrebatadores que he visitado. Y sí, también escuché un fado en las calles del Chiado. Me encantó. Las dos veces que estuve, fue una maravilla.
Suspiro y también tengo un poco de saudade. :-)


Leni Qinan