25/01/12

OPERAÇÃO DESPERTAR

Felizmente acaba de ser preenchida uma lacuna que havia muito   tempo fragilisava os direitos (justíssimos direitos ) dos funcionários  locais dos Consulados do Brasil em vários países, principalmente  na Europa e nos Estados Unidos..


Não querendo ser eu a comentar tal iniciativa, aconselho que visitem o blogue "Operação Despertar"
na "GOOGLE

22/01/12

VISTO DE TRABALHO PARA O BRASIL




O  visto de trabalho no Brasil é concedido com base na existência de um contrato de trabalho firmado entre empresa sediada no Brasil e pessoa residente no exterior. Firmado   por   ambas as partes, a parte (a "via") relativa ao contratado deverá ser reconhecida em Notário em Portugal e,  em   seguida,     autenticada pelo Consulado do Brasil em Lisboa ou no Porto. Mais tarde, a empresa signatária deverá encaminhar o contrato ao Ministério do Trabalho, para que aquele Ministério, em conjunto com
parecer favorável do Ministério da Seguridade Social, autorize   a   contratação   de residente   no   exterior. Concedida aquela autorização, o contrato transita para o Ministério das Relações   Exteriores que emitirá o "visto de trabalho" através de seus consulados no exterior, entidades essas que se encarregarão de convidar
a pessoa interessada a comparecer ao Consulado munido de seu passaporte, onde se fará a aposição do referido visto.

Assim, para esclarecimentos adicionais, os interessados poderão  consultar o Ministério do Trabalho (http://www.mte.gov.br), o Ministério das Relações Exteriores (https://scedv.serpro.gov.br)

O Consulado Geral do Brasil em Lisboa, o Setor de Promoção Comercial, bem como a Embaixada do Brasil, não se encontram habilitados a apresentar ofertas de emprego, ou a encaminhar solicitações de trabalho, devendo as pessoas interessadas dirigirem-se a instituições ou entidades melhor preparadas para tanto.

Sugerimos  a consulta a alguns "sites" de busca especializados na Internet ou ainda, nesse caso, outros relacionados com engenharia, tais como:

http://www.confea.org.br

http://www.ace-sc.com.br/home

http://www.abepro.org.br

http://www.abenc.org.br

http://www.alaest.org/eventos.php

http://www.abic.org.br

http://www.ciee.org.br.portal/institucional/media/video.asp

http://www.cni.org.br

http://www.cobracon.org.br

http://www.sinduscondf.org.br

http://www.sindusconsp.or

21/01/12

PONTE DE LIMA

PONTE DE LIMA e sua gastronomia

Quem não teve a felicidade de visitar Ponte de Lima não sentiu ainda a felicidade.
Vale a pena por todos os recantos paisagísticos, pela sua gastronomia, pela alegria e hospitalidade dos limianos e por esse rio fabuloso tantas vezes cantado por poetas insignes.
Bocados Restaurante Bistrô Situado no piso de baixo da casa dos proprietários, este restaurante, com vista para o jardim, dispõe de uma cozinha bem confeccionada, onde as iguarias são servidas com muita simpatia. Os pratos de petiscos, tal como o nome do restaurante indica, não param de chegar à mesa, que se traduzem em  sete entradas, um prato principal e uma sobremesa.
Carreiros - Arca4990-207 PONTE DE LIMA Distrito: Viana do Castelo Concelho: Ponte de Lima Freguesia: Arca 258942501Peça mais informaçõeshttp://www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/openPrint.asp?                                                         restaurantebocados@gmail.com

STEAK COM AMEIXAS a la Roberto Bonatto

Foram vários anos que vivi em Berlim  cidade magnífica onde cheguei com a desvantagem de nem sequer  saber  dizer uma única palavra  do alemão.  Os primeiros tempos, sem falar nem entender a língua germânica,  foram catastróficos.  Ademais,  para alguém como eu, que gosta de comunicar. Momentos cómicos sucederam quando eu tentava falar . E mais  ainda  quando escutava e não "entrava" nada na minha percepção.   Um dia em saindo com uma garota alemã para jantar,  no regresso a casa, não sei se agradecida ou mesmo, quem sabe, invocada ... ou farta do meu silêncio, ela me disse: - : ICH LIEBE DICH. 
Sabem o que eu entendi? Que ela queria fazer xixi.
Não aprendendo, contudo  o alemão,  aprendi, ao menos, a cozinhar.   Desses conhecimentos, homenageando um meu querido e desaparecido colega e amigo, o Roberto Bonatto, publico aqui a  receita que ele me indicou, do delicioso "STEAK COM AMEIXAS".
Assim:
O  steak, depois de temperado com sal e pimenta, passar em BASTANTE manteiga, numa frigideira.
Quando pronto,tirar e reservar. Na manteiga restante colocar as ameixas pretas cortadas, muita salsa picada, um cálice de RUN escuro e
creme fresco (natas).
Colocar o môlho sobre o steak  e pode servir.

É divinal.




20/01/12

A FORÇA DO BLOGUE


Algumas pessoas ainda não se aperceberam da importância ou da força que um simples "Blogue" pode representar nesse âmbito universal da internet. Para os mais incautos, representa um pequeno "Pasquim", ninharias, referências "intimistas" de parcos horizontes que ninguém lê! O curioso é que eu, em princípio, também assim pensava. Mas, no correr do tempo, e na evolução das crónicas, várias, que iam saindo, apercebi-me que se poderia chegar mais longe, a certos lugares...nunca dantes imaginados! E vai daí um turbilhão de recados que, embora peneirados, por "medos" ou "receios", espalham-se com possibilidades de medrar provocando, quem sabe, algumas "sombras" nos terrenos para onde o " vento" os leva...
Manoel Carlos




O REGRESSO A CASA o regresso ao Patropi, by Luiz Augusto




Diante da fuga significativa que se está verificando por parte dos imigrantes (principalmente brasileiros) e a minha experiência sofrida, levou-me a compor mais um pagode que serve de reflexão para todos aqueles que pensam em "arriscar-se" nesta velha, decrépita e falida Europa.




REGRESSO AO PATROPI




Quero voltar pro Brasil

Não tenho como comprar

o meu bilhete de volta

não sei como vou ficar

preciso achar uma

forma
de viajar sem pagar
vou procurar o Luiz
talvez possa me ajudar

Desesperado
pedi apoio do Consulado
contei o meu drama pro Lula
que ficou apavorado e falou
imigrante
leva uma vida de cão
chega cheio de esperança
e fica com as calças na mão
comendo o pão
que o diabo amassou
sou cidadão honesto
sou brazuca sim senhor

Do corcovado
quero mandar meu recado
primeiro agradecer a Deus
que sempre esteve ao meu lado
aos imigrantes
deixo a minha lição
aos amigos fico grato
do fundo do meu coração
vivendo
no meu Rio de Janeiro
cheio de felicidade
hoje grito....LIBERDADE




Luiz Augusto

Se ela soubesse!



Quase como uma canção, uma música suave, um samba...
Assim, indelevelmente, como um beijo na madrugada enquanto ela dorme...
Igual ao desenho do voo de gaivota perdida no nevoeiro da manhã...
meu peito ofusca-se na saudade eminente que a sua ausência já provoca...

APENAS INTIMISTA

Foram algumas referências que fiz,   neste  BLOGUE,   no  intuito     de  informar um pouco mais as pessoas que necessitam de apoio         e        procuram melhores ilustrações sobre o que, às  vezes, os         organismos oficiais   informam, demasiadamente burocráticos.  Não   apaguei         essas referências.  Porém, quem quiser encontra-las no   blogue, vai     ter que procurar as publicações  relativas ao ano         de      2010.Até ali       enfastiem-se com as                                        minhas                                                                                                "bobagens"                                                                                           

15/01/12

ALS ICH KINDER WAR...

Quando era menino adorava ir com o meu pai brincar para um parque situado a pouca distância da casa onde morávamos. Ali, podia correr, saltar, gritar e até brincar com um cachorro que fazia também do jardim o seu ponto de recreio. Era um cão possivelmente sem dono e sempre que eu chegava ele corria na minha direcção festivo movimentando  a cauda em sinal de  não, quando é sim, e saltando quase me derrubando. O meu pai, para que eu não me distanciasse escondia-se por detrás de uma árvore qualquer para que eu, ao olhar para trás, não o enxergando, voltasse ao ponto onde ele eventualmente se encontrava. Era assim todos os dias e, por vezes, quando eu não conseguia descobrir a árvore onde ele se escondia, um sentimento inexplicável tomava conta de mim o que me obrigava a gritar chamando por ele. Mas logo ele com seu ar calmo aparecia rindo da minha aflição. No caminho de regresso a casa ele me acalmava e dizia para eu nunca pensar que alguma vez iria abandonar-me ou ficar longe do lugar onde eu estivesse. Apesar disso, dessa segurança, às vezes quedava-me a imaginar esse abandono... Hoje, um dia de sol radiante, chegamos ao parque e, para minha surpresa, o cachorro não apareceu. Fiquei apreensivo e pedi ao meu pai para perguntar a alguém se tinha visto o cão. Não! Ninguém viu o rafeiro. Com o meu programa alterado fiquei sem saber para que lado do jardim seria melhor brincar. Caminhei absorto pisando a relva e nem me dei conta quanto tempo fiquei assim absorto. Sobressaltado, olhei para trás procurando o meu pai que, possivelmente estava me vigiando, como sempre, escondido por trás de uma árvore. Voltei correndo circundando todas as árvores e nada de ver o meu pai. Regressei ao ponto de partida, dei voltas e mais voltas. E meu pai não aparecia! A sensação de pavor era dominante e eu queria não perder a calma. Evitei ainda gritar mas foi por pouco tempo. Desesperadamente corri pelo Parque e meus gritos abafavam qualquer ruído. O mais estranho é que não se ouvia nada a não ser o som da minha voz chamando pelo meu pai. O Parque estava vazio. La fora não se ouvia o barulho dos automóveis. Corri para a entrada e constatei que, efectivamente, as ruas estavam desertas. Apenas eu. E chamei-o no cúmulo desse desespero de criança abandonada. Acordei com a sua voz calma e confortante repreendendo-me por ter gritado seu nome de forma tão sonora! --------------------------------------------------------------------------------------------- Felizes dos que como eu conseguiram  usufruir de uma infância sob a proteção cuidadosa dos pais, apesar das brigas, evidentes, de ambos; que souberam transmitir-me, de forma clara, a razão das discrepâncias num sentido positivo não deixando afetar-me, nem de longe, por recalques. O único trauma afinal é esta enorme tristeza dela, A MINHA MÃE,  ter partido sem que lhe tivesse podido provar este incomensurável amor.

03/01/12

FERNANDO PESSOA

"I know not what tomorrow will bring... " ("Eu não sei o que o amanhã trará").

Subindo a Rua do Alecrim, já na entrada para o Largo Luís de Camões, encontrei Fernando Pessoa que vinha em sentido contrário, muito absorto e, não fosse eu gritar-lhe: - olá Fernando, nem sequer teria notado em mim.
Como sempre, ou quase sempre, trajava paletó e calça escuros, camisa branca e um nó de gravata um pouco grosso para o colarinho redondo e estreito da camisa. Chapéu original aguçado no topo e seus óculos de lentes grossas que faziam de seu rosto parecer menor. No conjunto, a figura de Fernando Pessoa fazia lembrar um cartuxo, da cintura até o topo do chapéu, quando sentado, dava a impressão de um cone com o bico para cima.
Fomos seguindo, comentando as notícias do dia e sentamo-nos numa esplanada para tomar um café.
O mais engraçado é que eu, na noite anterior, havia lido um trecho filosófico do
Fernando e, olhando agora pessoalmente para ele, não achei nenhuma conexão com o que ele escreveu e com a forma de ele vestir. A não ser, claro, que ele apenas tivesse em conta a parte psicológica deixando de lado, consequentemente, a parte da estética exterior. O que confirmava sua ideia de que se não mudarmos de roupa vez por outra, a roupa toma a forma do nosso corpo….

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.

O meu espanto é que vejo sempre o Fernando nos mesmos lugares e, por incrível que pareça, usando sempre a mesma roupa!

Depois deste pensamento ter sido removido da minha cabeça continuamos os dois ali sentados conversando sobre os mais fúteis casos desta Lisboa linda.


Manoel Carlos

28/12/11

EÇA e ESSAS...


Sentei-me a uma mesa no café "A Brasileira", no Chiado, em Lisboa. Olhei em volta e, na mesa do canto, ao fundo da sala, vi o Eça muito concentrado escrevendo no seu bloco, quem sabe se um novo romance! Só mais tarde eu saberia que ele estava escrevendo "O Primo Basilio". Porém, naquele momento, eu não o quis interromper e graças a Deus que não o fiz, pois o que eu tinha para lhe dizer, certamente lhe desviaria a atenção tão preciosa para aquela obra prima da literatura portuguesa. Pedi um café e um copo de água. De repente Eça me olhou e fez-me sinal para que me sentasse a seu lado. Cumprimentei-o, sentei-me e logo me perguntou: - como vai o teu Blog?
- Vai bem e muito obrigado pelo seu comentário sobre Lisboa!
Eça teve um desabafo:
-Olhe meu caro, não é costume eu falar palavrões mas, dada a confiança que tenho com o meu amigo, deixe-me dizer que vocês agora tem uma sorte do caralho. No meu tempo não havia Internet!
Respondi-lhe agradecido e com muito entusiasmo: - Ainda bem meu caríssimo Eça. Mas também agora não existem mais Eças! Nem essas coisas lindas que você escrevia!

Texto de Manoel Carlos
FonFon lindo,Lindo.
Para quem ama Eça como eu...Ah... Não me faças vir lágrimas aos olhos, porque Eça lembra-me meu pai, e sobre ele, quem sabe, escrevo qualquer dia. O dia que não me importar chorar "de lavar a cara" e acordar no dia seguinte de olhos inchados.Beijos, querido.
Rosinha Vassimon

24/12/11

LUCIANO E CARINA - dois gaúchos che !


Entrando  no Largo Luís de Camões, virados  de frente para o Prédio onde está instalado o Consulado Geral do Brasil em Lisboa, em pleno Chiado já Bairro Alto, tomemos a esquerda, pela rua da Horta Seca e, na primeira esquina, quase em frente à Casa da Imprensa,  parem, entrem e relaxem. É um cantinho bem brasileiro.  Quase   quase um bistrô, o nosso boteco.  No período das 9 da manhã até às 15 da tarde, funciona normal como uma lanchonete, espalhando ares de café e aromas  das comidinhas  impregnadas de sabor e charme com  que o Luciano e a Carina cativam, sobremaneira,  toda a gente, muito mais a nós, frequentadores  assíduos. 
Mas o ponto alto é logo após as 17 horas, quando o pessoal do Consulado  aflui para "desestressar"  e comentar os acontecimentos do dia. Mas isto dura  pouco. É só até o Luiz Augusto sacar  do bolso o seu ultimo samba que escreveu inspirado.  Aí sim, muda tudo e  um cantinho de Brasil nos envolve.  Quer verificar?  Apareça por lá.


É, Mr. Fonseca, por essa crónica e tantas outras tuas habilidades que proclamo: sou teu fã!!!Um saudoso abraço, do amigo de além-mar que muito o estima André Bretones.

De Fonseca


14/12/11

O MENDIGO


Vigo é uma cidade em forma de presépio. Quando se chega ali, pela parte Sul. Quem vai de Valença do Minho,entrando pela Avenida Portugal, depois Praça de Espanha, descendo a Avenida Collón até enfrentar a deliciosa paisagem que transmite o outro lado da baía, temos exatamente a ideia de um presépío gigante, quando olhamos para trás!
É uma cidade apaixonante.
Vivi ali dois anos e viveria toda a minha vida.
Foi a cidade realmente dos meus "buenos recuerdos!
Um dia, era Verão, saí com o meu filho que nessa altura tinha 3 anos, e fomos passear por toda aquela artéria rente ao mar.
No regresso, antes de chegarmos a casa, sentamo-nos numas escadinhas perto da Praça de Compostela. O meu filho tirou o boné que lhe causava calor e colocou-o perto de mim, na escada, virado para cima.
No momento em que estou passando a mão pelos cabelos do meu filho, tentando dar um jeito em forma de afago, uma senhora muito elegante abriu sua bolsa, tirou uma moeda de 5 pesetas, e, com o elogio "que niño guapo, que niño de cine", colocou a moeda no boné. Logo em seguida mais uma dama, mais cinco pesetas e mais senhoras e mais moedas!
Fiquei como imaginam sensibilizado e completamente bloqueado.
Cheguei a casa com 1.350 pesetas!
Quase que no dia seguinte eu voltava para as escadinhas...
E deixava a bosta do emprego que eu tinha!

12/12/11

CRIME NA RUA DO ALECRIM continuação

Roteiro para uma curta metragem


Quando o casamente ocorre no desabruchar da vida, freiando ou mutilando a necessária liberdade que a juventude precisa para contornar vicissitudes, raro não acontece esse precalço que é o do arrependimento em função do que deixou de ser vivido...
Manoel Carlos



Fernando perdera o emprego mas sua situação financeira não estava nenhum caos. No entanto só o facto de estar inactivo causava-lhe uma sensação de desconforto e isso reflectia-se no seu comportamento que passou do estado calmo e feliz a descontroladas atitudes que vinham causando as mais perigosas consequencias no lidar com Raquel, sua esposa.
Aquela harmonia, os momentos naturalmente felizes de um casamento recente, recebeu um grande abalo e as coisas ficaram ou estavam se tornando feias. Como não podia deixar de ser, até no ambito mais íntimo, onde as ausências se pronunciavam. Era já dificil conseguir o que antes era extraordinariamente excitante, mas ela sempre o animava. Era por causa da crise profissional. Ele tinha que superar tudo isso e logo logo tudo voltaria à normalidade.
Fernando que não era ciumento, de um momento para o outro, deixou-se abalar por crises mesquinhas desse sentimento e Raquel não podia ter um gesto menos conhecido que ele imaginava coisas...o pior...
No final de cada desistência por falta de atribuições ...ficavam os dois sentados na cama tentando uma solução para aquilo que era o mais importante no seu relacionamento.
Decidiu consultar um especialista que foi categórico, animando-o. Pois a crise de ordem psicológica seria a curto prazo ultrapassada. Não havia razão para se deixar abater.
Nesse dia resolveu acordar cedo. Preparou-se e saiu para a rua. O dia estava colorido por um Sol espetacularmente dourado que animava Lisboa.
Passou pelo armeiro onde a semana passada havia deixado para limpeza uma pistola 6,35, niquelada com a coronha de madrepérola. Essa arma representava para ele uma carinhosa recordação de sua tia Aninhas que fora esposa de um fazendeiro no Brasil e lá, como precaução, ela usava aquela pistola na sua bolsa.
Quando chegou a Portugal ofereceu-a a Fernando como objecto de decoração.
Saiu do armeiro com a arma no bolso e percorreu a rua da Prata, foi à Praça da Figueira e depois subiu até o Chiado e ali, numa esplanada, resolveu sentar-se a desfrutar o ambiente tomando o seu café.
Estava absorto nos mais confusos pensamentos. Olhou em frente. Ficou desnorteado com o que viu. Do outro lado da rua, Raquel caminhava apressada. Trajava um vestido claro que ele sempre elogiava e fazia sentí-la mais atraente.
Ainda esboçou um gesto para chamá-la mas deixou-se sentado como se a carga de deduções que repentinamente lhe ocorreram pesasse ao ponto de o deixar sem forças para se erguer da cadeira.
Ele sabia que Raquel nesse dia não ia saír de casa. Ela havia falado que ficaria tratando de pôr certas coisas em ordem e não sairia nem mesmo para almoçar num restaurante qualquer como ele havia sugerido!
Pagou o café e resolveu segui-la sem ser visto. Já agora queria certificar-se das atitudes de sua mulher. Onde ela estava indo com tanto entusiasmo e elegancia!
Ia descendo a Rua do Alecrim e, a uns 50 metros, ele a seguia com o coração acelerado e dúvidas transbordando.
Ela entrou num prédio. Ele deixou-a tomar o elevador e foi pelas escadas. Sentiu o elevador chegar ao terceiro andar e ela tomou o corredor comprido parando na porta do apartamento do qual tinha a chave. Ele nem queria acreditar! Aquilo não podia estar acontecendo. A loucura estava perto e no bolso a arma o inquietava.
Ficou parado no corredor e seu estado o levava a sentir-se flutuando entre nuvens de fogo.
Parou frente à porta do apartamento. Tremia. Sentiu ainda como se um braço muito forte lhe segurasse a garganta querendo evitar a sua fúria.
Deu um pontapé na porta. Entrou e, numa cama larga, viu o imaginado. Raquel e o outro nus na cama no envolvimento "fatal"!
Sacou rapidamente a arma. Disparou todas as balas e saiu correndo descendo o prédio.
Ninguem se apercebeu do sucedido. Naquela hora Lisboa está na rua ou no trabalho.
Foi fácil chegar até à beira do cais mas impossivel acalmar sua emoção.
Junto ao rio, no paredão, era ele sozinho que caminhava.
Olhou ao redor e num impulso forte arremessou a arma para o Tejo.

-Fernando, Fernando!
Era a voz de Raquel que o acordava trazendo-lhe o café da manhã e o jornal, chamando-lhe a atenção para a noticia em destaque na primeira página:
"CRIME NA RUA DO ALECRIM!. CASAL BALEADO NA SUA PROPRIA CAMA.
A POLICIA TEM JÁ UMA PISTA DO ASSASSINO!"
.
Manoel Carlos

03/12/11

JACK , O ESTRIPADOR DE LISBOA

Não existem crimes perfeitos. Nem a justiça falha. Um mínimo detalhe, um gesto, uma palavra um objecto e eis que um clarão rasga as dúvidas e as trevas.
Não acredito que o estripador de Lisboa seja esse indivíduo que agora, pela sede da celebridade de um filho em crise ,  é  denunciado  e se entregou  às autoridades,  depois de 15 anos de seus actos   psicopáticos que horrorizaram  o País e arredores.
Naquela época as diversas notícias  que saiam nos jornais, sobre as mais variadas deduções , hipóteses e  especulações, lembro-me que num jornal se fez  referência a um Jeep de cor preta e que, eventualmente, era o veículo do assassino para se "evaporar" do local ou locais  do crime.
Não me parece agora que o homem encontrado tenha agido locomovendo-se em algum jeep preto ou outro veiculo qualquer.

São mostradas imagens da arma do crime como sendo um gargalo de garrafa partida, o que não vai de encontro à perfeição dos golpes e cortes da arma utilizada pelo "Jack". conforme constou.

Falava-se na altura na coincidência de crimes iguais praticados no Estado de Massachusetts  nos USA onde vivem e moram bastantes portugueses.
O FBI esteve em Portugal mas não me parece que  se fizessem pesquisas sobre se algum português residente  em Fall River   tivesse empreendido, naquela altura,  viagem  para Portugal e se algum Jeep de matricula americana circulou pelas ruas de Lisboa e se na garagem de algum prédio qualquer de Lisboa estivesse, alguma vez, estacionado  um JEEP preto, eventualmente, com matricula americana.

Pistas são pistas...



09/11/11

O AMOR DE BABALÚ

OS AMORES DA MINHA VIDA



Pediu-me para escrever esta historinha —para lhe poupar lágrimas, disse ele— de quem foi a sua paixão e a sua tristeza, e eu escrevo com as palavras e a alma dele, com os dedos meus tingidos nas águas do mar de Luanda, que são também as nossas águas... Contou com a voz ténue de quem venera os silêncios que aparecera nem sabia como, pequenina ela, na sua vida, caída dum lugar que fica além das lembranças, onde os tentáculos da memória se tornam fios no lusco-fusco. Bem que há donos que escolhem cão e cães que escolhem dono, a Babalú elegeu-o e, de troco, ele adoptou-a, perfilhou-a, para seguir fazendo uma vida a dois; companheiros que se entendem olhos nos olhos e no contacto dum corpo encostado a outro, em harmonia de fábula, como os contos de animais que falam com mais juízo do que as pessoas. Tanto era assim que por vezes ele ficava atento à boca dela, aguardando que exprimisse as coisas lindas que o olhar dela transmitia. Saíam juntos por toda a parte possível. Quando ele ia para o trabalho, ela ficava sossegada a cochilar  no banco de trás do carro, a acumular forças para se jogar num pulo ao rosto dele e cobri-lo de beijos, como a criança que se atira aos braços da mãe após uma ausência de minutos que pareceram horas, como a namorada recebe o namorado que chegou de comboio num dia frio de inverno. Nas tertúlias com os amigos, Babalú era uma mais, e quando depois de andar na gandaia, chegava o momento de espairecer a ressaca, deitava-se ao lado dele na praia do Mussulo, sem deixar ninguém aproximar-se, como um anjo sem asas, marcando o limite das confianças. Mas uma noite —sempre há uma noite nos contos que chega funesta, tal como na vida há dias, algum dia, que se perde no calendário— em que não a levou com ele, no regresso a casa, a Dona Sofia, a mãe dele, à espera, mensageiro triste de novas que ninguém quer dar, mas que no fim foi dizendo: —A Babalú foi atropelada e está gemendo no teu quarto. Não me contou o quanto lhe pesava o coração, convertido em punho que bate no peito na  cavidade  do remorso que ecoa: “Porquê eu não te levei comigo?”. Não, contou apenas do olhar diferente com que o recebeu, como pegou nela ao colo, como a abraçou com o amor todo —grande como é sempre o amor— que lhe tinha. E ela, que aguentara até esse momento para se despedir, balançou leve a cauda e no esforço deixou desfalecer a cabecinha e escapar um delicado xaxualho de xau-fui no derradeiro alento. 




 He asked me to write this story, to save you tears, he said, who was his passion and his sadness, and I write with words and his soul, with dyed my fingers into the sea of Luanda, which are also our waters ..Had the faint voice of those who revere the silences that appeared did not know how, her little in his life, dropped a place that is beyond the memories, the memory where the tentacles become threads in the twilight.  Well there are dog owners who pick and choose which dogs owner, Babalu-elected and, in return, he adopted her, her tiller, to continue making a life together, friends who get along in the eye and the contact a body leaning against each other in harmony of fable, as the tales of animals who speak with more sense than people. . So much so that sometimes he was attentive to her mouth, waiting for the beautiful things that would express her look conveyed.  They went everywhere together as possible. When he went to work, she was a quiet nap in the backseat of the car, building up forces to play a leap to his face and covered him with kisses, like the child who throws herself into the arms of his mother after an absence of minutes that seemed like hours as his girlfriend gets a boyfriend who arrived by train on a cold winter day.  In social gatherings with friends, Babalu was a more, and when after loaf, it was time to unwind a hangover, he lay beside him on the beach Mussulo, leaving none to approach, as an angel without wings , marking the limit of trusts.  But there is always a night-night in an ominous tale that comes as life for days, ever, lost in the calendar, which did not take her with him back home, Dona Sofia, his mother waiting, the messenger of sad news that nobody wants to give, but who ends up by saying:-The Babalu was struck and is groaning in your room.  ”. Do not tell me how much you weighed the heart, converted in hand that beats in the chest cavity that echoes of remorse: "Why did not I took it with me?". . No, just tell the different look that was received, and took her in his arms, and embraced with love as big as all-is-always love you had.  And she, who had held until that time to say goodbye, shook his tail light and lose heart in the effort to let out a soft little head and "xaxualho" xau-   I in the last breath.


M.S.

05/11/11

FALANDO PORTUGUÊS


31/10/11

Era Vigo ao entardecer...



O clima que reinava no quarto preenchia de apreensão o meu espírito e a presença da garota causava dúvidas da realidade. Eu não sabia se queria acordar do sonho ou se o sonho se tornasse eterno...Mas desci dessa nuvem de ilusão e me entreguei ao abraço daquele corpo diferente e tudo começou a desmoronar. Meus sentidos controláveis descontrolaram-se e fiquei inactivo. Sem reacção, aflito quase com medo. Era demais e rico o mundo a meus olhos e achei não estar à altura de tanta beleza. Desmoronei de vez. Mas quis que ela levasse ou sentisse um pouco da minha possibilidade de levá-la, ao menos, até o fim do caminho... por outros atalhos! E senti deliciosamente as suas vibrações sem poder retribuir. Da varanda ainda vi o barco da Policia Maritima saír para a fiscalização da noite no rotineiro percurso fluvial de Vigo.A garota foi embora deixando-me entregue à maior frustração.Só algum tempo depois é que consciencializei de que não lhe perguntei o nome, o endereço, enfim qualquer elemento de contacto futuro. Tal foi o meu deslumbramento.

29/10/11

REFORMA POR INVALIDEZ


Depois de me reformar, fui até à Seg. Social para poder receber a reforma.
A mulher que me atendeu solicitou o meu bilhete de identidade para verificar a idade. Procurei nos bolsos e percebi que o tinha deixado em casa.
A funcionária disse que lamentava, mas teria que o ir buscar a casa e voltar depois. E disse-me, "Desabotoe a camisa."
Então, desabotoei-a deixando expostos os meus pelos crespos prateados.
Ela disse, "Esses pelos prateados no seu peito são prova suficiente para mim," e processou a minha reforma.
Quando cheguei a casa, contei entusiasmado o que ocorrera à minha mulher.
E ela disse: "Por que não baixaste as calças? Poderias ter conseguido invalidez permanente também... "
E então a zanga começou...

25/10/11

SCHREIBEN IMMER SCHREIBEN



Escrever sempre! Escrever é o maior e mais salutar passa-tempo que todos deveríamos aprender a manobrar. Escrever é tambem jogar. Joga-se com as palavras, com as frases, joga-se com o estilo com a regra. Joga-se com as pessoas, com seus gestos, com sua psicologia. Joga-se com futebol, com elementos de qualquer desporto. Escrever, além de cultura é um jogo, um jogo extraordinário! E o mais importante é que nesse jogo é dificl, impossivel, perdermos. A luta, a contenda, a peleja, o combate são difíceis, às vezes, mas sempre a vitória é certa! Quando se chega ao fim é uma felicidade vermos o jogo cumprido e o troféu nas linhas e nos parágrafos, nos acentos ou mesmo sem acentos! Nas orações, no predicado, no sujeito. Mas também podemos trocar tudo. Podemos esquecer do sujeito e trocarmos o predicado e até usarmos sem medo os superlativos absolutos simples! Mas quantos mais adjectivos houver melhor o jogo! Mais colorida será a victória! Escrevam simplesmente mas escrevam e vão ver que muitas coisas ruins de sua vida serão expulsas nesse jogo magnífico! Experimentem.

Texto de Manoel Carlos

23/10/11

Escrever é o remédio

"Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não querias. O simples acto de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder.
" Paulo de Coelho

16/10/11

EM NOME DA DEMOCRACIA Irene Pessôa de Lima Câmara

De Tese a uma Obra de Vulto - um Tratado.

"Em 30 de setembro de 1991, O presidente constitucionalmente eleito do Haiti, Jean-Bertrand Aristide, foi destituído por um golpe militar..."
E parte daqui toda uma referência da melhor observação do acontecimento que em si, segunda a autora, não chegava "a surpreender ou primar pelo seu ineditismo"...
De tese para uma Obra de vulto. A autora analisa o processo de multiliterização politico-institucional mais impressionante que eclodiu no Haiti
.
A Ministra Irene Pessôa de Lima Câmara faz "um estudo de caso" do envolvimento da OEA, e no contexto são avaliadas as correntes de opiniões dos Estados americanos e as ações por eles tomadas no processo. Estuda os aspectos da legalidade que ampararam a ação e as razões do insucesso da missão interamericana. Livro recomendado. Em destaque na http://www.planetanews.com/
A autora desempenha atualmente suas funções no Itamaraty no Rio de Janeiro.

11/10/11

TALVEZ UM ANJO



A minha infância não foi das mais floridas e a carência de que fui vítima ainda sangra nas minhas lembranças.
A sensibilidade por tudo o que envolve problemas de crianças chega a causar-me as mais demoradas insónias.
Foi outro dia, quando me dirigia para o restaurante onde habitual
mente almoço, um menino de aspeto muito frágil, angelical, me abordou
puxando a minha mão. - Senhor, desculpe, poderá oferecer-me alguma coisa com que possa me alimentar? Estou com muita fome.
Fiquei gelado e por segundos me vi envolvido num temporal de revolta e quase gritei. Mas calei meu grito no próprio grito. E regressei da guerra.
Olhei - o meio desconfiado mas meus sentidos não me transmitiram nenhuma repulsa.
Algo de misterioso aquele menino expandia.
Suas roupas não estavam nem sujas nem rasgadas. Seu rosto era o de um
menino bem tratado e seus olhos eram os olhos de um anjo.
Seu sorriso foi o mesmo sorriso dos meninos que ganharam o presente mais ambicionado na Noite de Natal, quando o convidei para entrar e almoçar comigo.
Sentou-se à mesa na minha frente e sua postura era a de uma criança bem educada. A forma como se sentou, o gesto de abrir o guardanapo, o afastar dos talheres e depois em todos os pormenores que normalmente a etiqueta exige.
Minha curiosidade era tal que evitei fazer perguntas na expactativa de que ele iria dar razões plausíveis justificando sua indigência!
Assim aconteceu. Logo me sossegou o espírito falando de si próprio.
-Sabe. O Senhor sabe que. Desculpe posso saber o nome do senhor?
-Claro, que podes. Chamo-me José.
Abriu um sorriso encantador e continuou: - é o nome igual ao do meu pai. O meu pai também se chama José! Nem imagina como eu estou muito feliz, senhor José, mas mesmo muito contente por saber que ainda existem pessoas bondosas como o senhor e sensíveis às necessidades das crianças. Pensei que, por eu estar assim vestido, o senhor José não iria atender ao meu pedido, pois saiba que nem sempre só os esfarrapados sentem necessidades, tem muita gente por aí, de aspecto muito limpo e sabe Deus o que lhes vai na alma ou no corpo.
E continuou falando tão suave e doce que me transmitia uma sensação nunca experimentada, de paz, de felicidade. Aquela sensação que se experimenta quando tudo está bem na vida e nos encontramos de frente para a grandiosidade do mar, do infinito, ou no meio de um prado verdejante num dia ameno de Primavera!
Fiquei assim por uns instantes. 
Voltei a dormir e  no sono não vi mais o menino.

Texto de Manoel Carlos

09/10/11

Sexto sentido



O que seria de nós se um outro sentido  - o sexto - fosse, efetivamente, controlável e susceptível  à eventual  contestação...necessariamente...
Sabe-se que algumas pessoas - espiritualistas - em momentos de leveza física , abandono material, quase em transe ou em plena concentração, conseguem ler e  transmitir  pensamentos com  pessoas semelhantes em diálogos silenciosos, imperceptíveis  aos alheios à corrente, a essa corrente magnética. 
Fico então pensando como seria bom eu tivesse assim essa "habilidade" para  comunicar com você e que me entendesse nos pensamentos.  Pensamentos que não sei transmitir por palavras e tenho medo de os divulgar.  Seria um vexame toda a vez que eu lhe confessasse  o que  sinto   levar com a sua reação inesperada - essa bofetada!  Ou não?
Quando você passa expandindo seu perfume  gingando seu corpo  sedutor e insinuante só me dá vontade de partir ao seu encontro e envolve-la em todas as minhas emoções...

Pronto acabei dizendo o que queria  e pensando o que não devia.
Entendeu?





30/09/11

Um brasileiro em Lisboa. QUANDO O AMOR SE DIVIDE...texto de Danielle Gouveia



Valdeir estava há uma ano e meio em Lisboa. Arranjara emprego na restauração e uma bonita namorada - a Jaqueline - também ela vinda de alem-mar. Logo juntaram os trapinhos e encomendaram à cegonha um bebê para selar o amor.
Mas um fatídico dia a paz de Valdeir acabou. Era o telemóvel que trazia a notícia.
-Alô Valdeir, é a Clarineide, tô aqui no aeroporto amor, com a nossa filhinha Gaby.
Viemos passar o Natal com você!
-A quê? Quem? Claro...Não acredito! Que bom! Daqui a dez minutos estou aí!
E lá foi o infeliz buscar a mulher (sim, ele era casado e tinha 3 filhos) ao aeroporto. Deu um jeito de instalar provisoriamente a "outra" na casa de uma amiga e acolheu a familia legítima em casa. Mas, é claro, nada satisfeito.
-Doutor, quero tratar do meu divórcio e para facilitar o negócio, vou denunciar a Clarineide pro SEF. Tomara que levem o diabo da infeliz para bem longe de mim...
-Mas senhor Valdeir...coitada da sua esposa, para quê tomar uma atitude tão drástica?
O Doutor João Patricio da Silva Garrapachinho, nunca em 20 anos de advocacia tinha visto tanta frieza nos olhos de um individuo! Não hesitou em ligar à pobre mulher desamparada:
-Dona Clarineide, quero lhe ajudar, venha cá a meu escritório que vamos tratar da sua legalização no país!
E passou-se um ano...
Clarineide casou-se com o Dr. João, estão felizes e à espera do primeiro filho. Moram em uma belíssima vivenda em Cascais e planejam ir de férias ao Brasil no fim do ano.
Valdeir ainda está com Jaqueline, mas como as coisas não estão lá muito boas por aqui pensam juntar um dinheirinho para voltar para a terrinha!

D.G.

09/08/11

"LIKE A BIRD"


De repente sou um pássaro numa árvore imensa, compacta de galhos,ramos e folhas que o vento vai acariciando nesta manhã de começo de Verão. Meu chilrear nem eu próprio escuto pelo barulho que emite o farfalhar das folhas. E sinto-me só sem ter mais aqui os outros pássaros que voaram de madrugada sem mim à procura da vida. Como não sabia para onde tinham voado resolvi esperá-los até à tardinha quando se recolheriam nesta imensa árvore - nosso abrigo no meio da cidade. Esperei. Esperei. A tarde veio, a noite caiu mas os meus amigos, a minha familia, a passarada não mais apareceu. Que teria acontecido?

...já não há mais ninhos, não há mais ramos...

Manoel Carlos

05/08/11

HOMENAGEM

A vida torna-se mais fascinante quando lidamos  com pessoas extraordinárias. Pessoas com quem podemos aprender muito.

31/07/11

SEMPRE ELA

 Este conflito etário, este desespero platónico  a rondar o concreto, esta luta de impulsos não tem fim enquanto durar o sonho...
Esse sonho do qual não ouso acordar.

Me acomodo à esperança de ao menos poder transmitir-lhe esta energia.
 E fico escondido num cantinho vendo ela aparecer no meu Blogue para  certificar-se que eu ainda não me esqueci...
 E alegra-me ao menos saber  que o seu ego se satisfaz e enaltece com os meus sentimentos. 


Blogger Leni Qinan disse...
Hola Manoel Carlos  Muy sensual y costumbrista, como todo lo que escribes. Me encanta y me transporta. XXX. Leni

29/07/11

A COPA DO MUNDO NO BRASIL

Editado pela Secretaria
de Comunicação Social
da Presidência da República
Sexta-feira - 29 de julho de 2011
Edição 1337

Copa do Mundo vai receber R$ 25 bilhões em
investimento público e gerar 700 mil empregos
O evento vai movimentar R$ 183,2 bilhões e criar 700 mil empregos. 350 mil permanentes
e 350 mil temporários.




Ler   emquestão


6ª feira 30.07.2011

27/07/11

DE NOVO ELA

Ontem à noite comentei com uma amiga sobre Ela.  Alguma coisa está acontecendo com Ela. Sinto a ausência daquele brilho intenso de seus olhos, daquela luz  de estrela que sua figura irradiava !  Parece até que mudou a forma de caminhar,  daqueles passos curtos e rápidos,  para um desenho mais lento e  mais longo. 

Mas afinal sou eu que me convenço disso.

Só assim poderei afastar esta força que me leva derradeiramente  a Ela.

Este impulso que é incontrolável.  E que me deixa pensando tanto sem nada poder falar.

Até quando?

29/06/11

EU E ELA


EU

Sonhei-a assim toda tatuagem a tatuagem, detalhe a detalhe, poro a poro, vestida com os coloridos panos, nua todinha,  deitada e em pé, caminhando, dormindo, falando, calando, amando, chorando, sorrindo, dançando... 
Sonhei-a assim toda tinha eu quase quinze anitos, homem já quase todo feito e pronto, segundo todos os procedimentos estabelecidos nas tradições da minha gente.
Sonhei-a assim mesmo todinha minha e exclusiva , completamente intocada por ninguém e perfeita tal qual como eu naqueles meus todos catorze quase quinze:  virgem total.
E de tanto que a sonhei se me concretizou esse sonho como vida sonhada mesmo.
Casamos em meio de festivas comemorações e alegria de toda a nossa gente, povo puro dos matos do sul.
Agora, repassados que são os cinco primeiros anos de vida junto - e pensando melhor -, se calhar eu não a
queria assim tão perfeitamente acabada, tão tão mãe dos seus filhos e, pior, se escusando a si própria de me dar razão nenhuma para eu, nos mínimos, ter queixas contra.
Nem um uma nenhuminha vez, sequer!
Por isso eu agora já nem sonho mais por falta de validade dos meus sonhos.
Quem quer sonhar sempre não pode realizar nunca!
Todos os sonhos são só sonhos de nunca realizar de nunca acabar. E quando se realizam acabam e se acaba tudo também com eles!
Nós incluído.
Porque afinal tudo foi só coisas de criança.
Coisas de criança quando se é homem quase todo feito e pronto.
Desfeito e tonto, mas é!

ELA


 O meu nome é menina, logo pouco conhecedora  do mundo. Talvez por isso recorde amiúde  os ditos entrecortados dos meus mais velhos, sempre atentos a que as crianças não escutassem certas conversas.
Restaram-me então frases codificadas que, no decorrer dos meus poucos anos, fui traduzindo mais ou menos assim:
Os sonhos dos homens têm o tempo daquela  própria concretização, que por costume sempre é breve. Se demorar muito partem para outro sonho. E de sonho em sonho esgotam a vida toda, muitas vezes sem a ter vivido.
Em mim, pelo contrário os sonhos são coisas mais duradouras, não se esgotam, apagam-se como estrelas ou fogueiras.
E então quando encontrei a pessoa encantada dilatei o meu sonho e a vida tornou-se muito curta.
Mas mentindo-me eternidades.
Porém, meu marido desencantou por causa de quase nada por causa de ciumes de filhos que ele sonhou comigo ter.
E agora já quer partir - insonhante - em viagem de profundos arrependimentos  para muito longe afastando- me mais ainda.
Na verdade eu já sabia que muitas vezes morremos sem terminar os nossos   sonhos.
Mas não consigo esquecer o inebrio do dia-após-dia na vida desfrutando da possibilidade  de envelhecer ao lado de um sonho sem que ele tenha partido já para outro.
Por isso eu quero continuar assim menina para sempre .
Principalmente agora que meu marido quer ser homem longe de mim...




Publicado in "Contículos" Título na versão original: O Um e a Outra
Um Livro de JonLima





11/06/11

LEVITAÇÃO


 

Quantas vezes surpreendo-me dentro de mim, perdido no que vejo cá fora.
Paro aflito como se fosse outro a olhar a minha imagem,  os meus gestos!
E misturo a pergunta do outro  com a minha,  exclamando:  quem é este aqui tão estranho?

Nesses momentos que a consciência esvazia  como se fosse tudo novo,  parece que estou nascendo sem saber quem sou,  como se fosse apenas  um pensamento feito pluma voando ao vento ,
espalhando  as ideias num misto de letargia e sonho.
Quando acordo fico confuso mas ciente de que viajei.  Por onde não  sei.  
 Será que  é ALZHEIMER? 

Manoel Carlos

05/06/11

UMA ESTORINHA DE AMOR - sensurada

Estava eu esticado num banco do jardim da Cordoaria, envolto em jornais e pedaços de cartão para atenuar o frio intenso  que fazia, e ali aquela puta velha arrombada que não parava de fazer fosquices à minha frente como se fosse tarefa fácil convencer-me.
Antes morto, pensei para meus testículos.
Mesmo assim lá se foi aproximando aproximando até que num violento e incontrolável impulso lhe cravei a navalha no lugar do coração. Coisa que a prostituta, para além de muitas outras mais, já não devia possuir há muito.
Visitei-a no hospital dias depois.
E conversa para cá conversa para lá, acabamos casando.

02/06/11

na curva do rio

Envolvida em flores e entre nuvens branquíssimas surgia do céu azul. Acompanhavam-na os anjos e ecoavam melodias pelos espaços coloridos entre os salgueiros e os plátanos imponentes  E ela vinha. Caminhando num deslize celestial estendendo os braços para o meu corpo. No encanto da lua  brilhando afinal ainda noutro sonho... Lá ao fundo, na curva do rio, a nuvem longa e branca parecia esperar pela gaivota que flutuava levemente no espaço.

21/05/11

MINEIRIM E KUNG FU


O Valmir era um cara legal. Pacífico. Mas brincalhão de fazer doer! Era meu companheiro em todas as farras ou simples festas que amiude tinham lugar ali para a zona norte do Rio de Janeiro, exatamente no Catumbi, bairro famoso pelos "detritos" do morro; mas que nós curtíamos da melhor maneira. Valmir delirava quando pintava briga em qualquer boteco ou mesmo na rua. Deixava a turma se envolver, depois ficava desviado fazendo pose de kareteka ou Kung Fu, espalhando gestos, aqueles movimentos característicos do Kung Fu, como sendo braços em posição de ataque-defesa ou vice-versa, joelho erguido e pé rodando como que a ensaiar golpe a desferir, soltando aqueles gritos à laia de Bruce Lee Yaaaaaaaaaa Yuuuuuuuuu yéeeeeeee esbravatava braços e pernas como se de um Kung Fu verdadeiro se tratasse. Eu adorava vê-lo nessa brincadeira e quem estava de longe, pensava mesmo que ele estava envolvido na luta e os sujeitos, que já andavam pelo chão, vítimas de algum soco mais potente, tinham sido derrubados por ele! Estas brincadeiras de Valmir nem de longe eu pensei que algum dia iriam trazer-lhe as consequencias mais desagradáveis!


Pois, era sábado à noite. Um verdadeiro "saturday night fever"!

"Roncou o pau" na rua dos Coqueiros, no boteco do portuga Sebastião. Não era Joaquim nem Manuel, era mesmo Sebastião! Mas como ia dizendo a briga pegou forte entre uns " negões" cariocas e uns círios metidos a besta. Já rolavam alguns pelo chão, copos e garrafas voando, e o Valmir a uns 5 metros no fundo do boteco gesticulando e gritando como se estivesse envolvido na luta: Yuuuuuu. yaaaaaaaa,yyyyyyyyy tiiratiratiratiratira era a Policia que estava chegando, apearam-se cinco guardas fortões, de cassete em riste e gritaram em direção do Valmir é ele o Kung Fu agarrem-no! E Valmir , que nem um galgo, mas um galgo assustado, toca a fugir porta fóra com 3 policiais em sua perseguição. Valmir foi dentro e levou tanta porrada que provocou sua mudança radical. Hoje ele é um Kung Fu mesmo! E agora, francamente, com Valmir eu me sinto mais seguro, por ser um Kung Fu e porque ele nunca mais brincou de Kung Fu". Mas deixou de ter graça! E às vezes recordamos com saudade aquele fabuloso "saturday night fever"
. FOR EVER!

14/05/11

A HORA DE REGRESSAR AO PATROPI


De acordo com a crise generalizada que se instalou na Europa e o explodir de progresso que o Brasil está vivendo, é bom que os brasileiros repensem se vale a pena o sofrimento e certas  vicissitudes longe do PATROPI., antes que "estranhos" ocupem os seus lugares...
Fonseca Lima

05/05/11

Foto do dia

De futuro fazendo charme com os colegas, vou publicar cada dia uma foto de  um deles ou,  delas.

                                   viram?

..." nosso  amor que eu não esqueço
     e que teve seu começo
     numa festa de São João.
     Morre agora sem foguete
     sem retrato sem bilhete
     sem luar , sem violão..."

Noel Rosa


02/05/11

LIMIANO 41 Fonseca Lima

ELA FOR EVER




A proximidade dela, quase me tocando, a expansão de seu perfume quente me envolvendo e o balançar de sua voz sonolenta nos meus ouvidos...
A vontade louca de tocar-lhe nem que fosse apenas com a ponta dos dedos e o atroz pavor do desagrado...a tal impossibilidade intransponível!
Ela se aproxima e murmura os números que vai escolhendo para o jogo euro-milhões.
E a voz desliza como um sussurro embriagador: vinte.....e......sete.
Ela fala quase que soletrando o que empresta à voz mais melodia e fascínio e arrebenta comigo numa covardia que eu não mereço...

Que se foda o euro-milhões...

 

01/05/11

A ILUSÃO DO MINEIRO


De acordo com a crise generalizada que se instalou na Europa e o explodir de progresso que o Brasil está vivendo, é bom que os brasileiros repensem se vale a pena o sofrimento e certas  vicissitudes longe do PATROPI..

Nelson estava pacatamente sentado no botequim "Esperança" bem ali no centro de Teófilo Otoni, a cidade mais "abandonada" de Minas Gerais. Absorto magicava sobre os amigos que partiram, emigraram para a Europa, deixando tudo para trás numa coragem que ele não possuía.  Jamais deixaria o Brasil por muito que lhe oferecesse o exterior. Pensava ele.
De súbito uma voz familiar gritou nas suas costas: - Nelsinho!!!!!!!
Era o Maxwell que estava de visita vindo de Portugal.
Abraços, entusiasmo, algumas lágrimas.
E começou tudo.
Maxwell contava coisas maravilhosas de Portugal. Praias, mulheres bonitas e, principalmente trabalho para todo o mundo!!! Muita Grana!!!
E dizia: - Vês aquele carro ali? Acabo de o comprar com o dinheirinho que tou trazendo dos portuga! E mais: depositei agora na minha conta cem mil real!
E Nelson se deixou imbuir, enrolar, pela fanfarronice de Maxwell.
Só que Maxwell não contou que para visitar o Brasil,depois de 5 anos de ausência e de trabalhos árduos, teve que se valer de um empréstimo ao Banco em Portugal. Viajando dolorosamente endividado.
E Nelson, feito bobo e iludido, quinze dias depois, estava viajando para Lisboa envolvido no maior dos entusiasmos e irreversível  esperança.
Logo no aeroporto foi barrado pelo SEF - Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e, não fosse um momento de fraqueza do Inspector de Serviço, Nelson nesse mesmo dia, teria regressado a Teófilo Otoni para contar apenas que o aeroporto de Lisboa era uma merda.
E foi indo por essa Lisboa adentro.
Só que os dias foram passando, o inverno estava rigoroso, as mulheres que se cruzavam com ele nada tinham a ver com a moçada brasileira, as vozes das pessoas eram agressivas.
Procurou em vão por todo o lado alguem que lhe desse trabalho.
O pouco dinheiro que trazia estava dando as últimas e a crise se instalava na sua economia e no seu espírito.
Visitei Nelson na Psiquiatria Júlio de Matos onde dera entrada acometido por grave surto psicótico.
Graças a Deus que reagiu muito bem a um tratamento especial e teve alta totalmente recuperado.
Nelson foi imediatamente repatriado e já no Brasil refez sua vida calma e mais feliz junto de sua familia e amigos em Teófilo Otoni de onde nunca deveria ter saído.



Fonseca Lima.

30/04/11

Dolores Penna. Diplomata ilustre.


Queridíssima Secretária Dolores,



Existem pessoas, super pessoas, que nunca podem ser esquecidas.  Na

minha lista do coração sempre figurará a Secretária Dolores, com quem

não tive a oportunidade de trocar fluidos como eu tanto queria mas, do

pouco que me foi dado conviver, foi o suficiente para ficar marcada em

minha vida tal  impressão positiva. Ninguém no Consulado a esquece nem poderia esquecer.  Está sempre presente. Se tiver tempo veja o meu

Blogue onde falo, às vezes, sobre o Consulado. Blogue  www.limiano41@blogspot.com 



Estarei sempre por aqui.   Mande suas ordens.



Beijos, respeitosos beijos,



do Fonseca


Existem pessoas, super pessoas, que nunca podem ser esquecidas. Na
minha lista do coração sempre figurará a Secretária Dolores, com quem
não tive a oportunidade de trocar fluidos como eu tanto queria mas, do
pouco que me foi dado conviver, foi o suficiente para ficar marcada em
minha vida tal impressão positiva. Ninguém no Consulado a esquece nem poderia esquecer. Está sempre presente.

Estarei sempre por aqui. Mande suas ordens.